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A Construção do Estado Pós-Colonial em África e os desafios do Renascimento Africano

Para si, o que é ser africano? Falava-se, inevitavelmente, de identidade versus globalização. Respondi com uma pergunta: - E para si, o que é ser europeu?

Ao prefaciar a obra historiográfica da brasileira Leila Hernandez com o sugestivo título “África na Sala de Aula: Visita à História Contempo- rânea”, o renomado escritor moçambicano Mia Couto conta, em primeira pessoa, a seguinte experiência: «Aconteceu num debate, num país europeu. Da assistência, alguém me lançou a seguinte pergunta: Para si, o que é ser africano? Falava-se, inevitavelmente, de identidade versus globalização. Respondi com uma pergunta: - E para si, o que é ser europeu? O homem gaguejou. Não sabia responder. Mas o interessante é que, para ele, a questão da definição de uma identidade se colocava naturalmente para os africanos. Nunca para os europeus. Ele nunca tinha colocado a questão ao espelho». 1 Este pequeno episódio traz à luz uma questão provocadora: Quando se fala de África, de que África estamos falando? Terá o continente africano uma essência facilmente capturável? Haverá uma substância exótica que os caçadores de identidades possam recolher como sendo a alma Africana? 2 A cilada está dentro desta mesma pergunta. «Afinal é a própria pergunta que necessita ser interrogada. São os pressupostos que carecem ser abalados. E onde se enxergam essências devemos aprender a ver processos históricos, dinâmicas sociais e culturais em movimento». 3 Esta premissa permite-nos fazer o enquadramento metodológico da nossa abordagem sobre a construção do Estado pós-colonial em África e os desafios do renascimento africano. O Estado pós-colonial - e os seus respectivos processos e dinâmicas históricas e políticas - vai ser a categoria fundamental deste estudo sem perder de vista a perspectiva do tema do painel: “Africa, the rising continent”. O nosso intento é de ensaiar aqui um esforço de desconstrução discursiva e ideológica que nos permita trilhar por um paradigma menos essencialista e mais dinamicista da realidade Africana.

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