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Breve testemunho pessoal de carreira

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João de Vallera

João de Vallera

Embaixador

Sessão de homenagem ocorrida no Palácio das Necessidades, em 20 de Julho de 2020, assinalando a jubilação de quatro Embaixadores (João de Vallera, José de Bouza Serrano, Mário Godinho de Matos e Mário dos Santos), sob a presidência do Ministro dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva.

Gostava, antes de mais, de simplesmente assinalar, entre muitos outros, alguns nomes de colegas mais antigos que tiveram intervenções determinantes no rumo da minha carreira e/ ou que considero, a diversos títulos, como mentores no meu processo de formação profissional, intelectual ou humana : Humberto Morgado, Fernando da Silva Marques, António Franco, Manuel Lopes da Costa, Ernani Lopes, Luis Figueira, Paulo Ennes, José Gregório Faria, Luís Pazos Alonso, José César Paulouro das Neves, Vasco Valente. Acrescento, numa outra e especial categoria classificativa, Jorge Sampaio. Como Secretários de Estado dos Assuntos Europeus com quem mais interagi, Vítor Martins e Francisco Seixas da Costa. Em nome das dezenas de excelentes colegas da Reper (e da Missão junto das Comunidades Europeias, que a precedeu) com quem tive o privilégio de longa e proficuamente trabalhar, Carlos Costa.À Direcção Geral dos Assuntos Europeus, de que de certo modo fui “sócio fundador” para além de dirigente, cliente e frequentador assíduo, dedico uma palavra de especial carinho. A todos, e a muitos mais que não nomeei, designadamente por serem meus contemporâneos ou mais jovens, a minha gratidão.


 

Francisco de Sousa Tavares...

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Guilherme d’Oliveira Martins

 

Fora de qualquer unanimismo, a sua atitude foi sempre autónoma, livre e própria.

Francisco de Sousa Tavares nasceu há cem anos, a 12 de junho de 1920. Na sua pes- soa lembramos uma componente funda- mental da democracia que continuamos a construir no dia-a-dia - a independência de espírito. Fora de qualquer unanimismo, a sua atitude foi sempre autónoma, livre e própria. Desde muito cedo, acompanhei o seu percurso cívico e político, cultural e humano, e olhando para trás não esqueço como o seu pensamento e a sua coerência tiveram em mim influência significativa. Sendo meu avô monárquico e anglófilo, dois fatores que o levavam a recordar na história da nossa família, a marca indelével do constitucionalismo desde 1820, foi-me possível acompanhar através dos debates da época, muitas intervenções desassombradas de Sousa Tavares, con- tra as lógicas transpersonalista e totalitária, em nome da dignidade da pessoa humana. Recordo o que deixou escrito na I Semana de Estudos Doutrinários (Coimbra, 1960) ou o que se encontra evidenciado no livro do mesmo ano Com- bate Desigual (apreendido pela Censura logo na tipografia) de “uma luta arden- te e incansável pela democratização do ideal monárquico”, mas também os documentos que subscreveu, em 1959, sobre as relações entre a Igreja e o Estado e a liberdade dos católicos e sobre os serviços de repressão do regime, bem como de outubro de 1965 – o célebre documento dos 101 católicos, em prol da democratização.


 

Ruben A. - Percurso Singularíssimo...

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Guilherme d’Oliveira Martins

 

“Guerra? Este mundo quer a Guerra? Para que é que servem os homens inteligentes?”

Sedutor fascinante de inteligência e sensibilidade”, chamou-lhe Mário Soares. Em bom rigor, a biografia de Ruben Andresen Leitão é digna de Gal- sworthy. E a sua lógica, um exercício de G. K. Chesterton. Sophia de Mello Breyner Andresen, sua prima direita, recorda o Porto, o Campo Alegre, esse lugar olímpico, com uma inefável ternura: “para uma criança, aquela casa e aquele enorme jardim com os altíssimos plátanos, as tílias, o carvalho, ao lado do ténis, as camélias, o roseiral, o pomar, as adegas, o pinhal, os morangos selvagens, eram um mundo, um reino que em nós permanece como uma inesgotável memória inspiradora”. E essa saga da Quinta do Campo Alegre, porque nitidamente romanesca, teve também o dramático de um tiro de pistolão, do fio de armas de fogo mandado instalar por Dona Joana Andresen contra os ladrões, que atingiu o irrequieto Rubinho, deixando-o no território incerto dos mártires. Até que, em Março de 1937, faleceu a coluna dorsal daquele mundo, a avó Joana, a “Velha Máquina”, que deixou a Ruben, como testamento, a “ânsia desmedida de partir, de romper horizontes”.


 

Frei Mateus Cardoso Peres O.P. (1933-2020)

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Guilherme d’Oliveira Martins

Guilherme d’Oliveira Martins

Conselho de Administração, Fundação Calouste Gulbenkian; Conselho Editorial, Nova Cidadania

A memória de Frei Mateus Cardoso Peres, O.P. deve ser especialmente lembrada, pelo que representou a sua personalidade e pela obra que nos deixou.

A memória de Frei Mateus Cardoso Peres, O.P. deve ser especialmente lembrada, pelo que representou a sua personalidade e pela obra que nos deixou. Conheci-o bem por razões familiares e tenho pela sua vida e obra uma grande admiração. Devo recordar que o grupo de que fez parte dos “católicos inconformistas” integrou alguns dos meus grandes amigos, como António Alçada Baptista, Helena e Alberto Vaz da Silva e João Bénard da Costa – num conjunto mais vasto de quem sempre estive próximo, entre os quais se contam Pedro Tamen, Maria Isabel Bénard da Costa, Nuno Bragança, Ruy Belo, M.S. Lourenço, Manuel Lucena, Nuno Teotónio Pereira e Nuno Portas. Falo da Aventura da Morais, de “O Tempo e o Modo”, da revista “Concilium”, do Centro Cul- tural de Cinema (CCC) e do Centro Nacional de Cultura. E se há quem obrigue a considerar com o maior cuidado a expressão de Ruy Belo sobre “Os Vencidos do Catolicismo” é exatamente Frei Mateus. Com efeito, o tempo passou e não devemos esquecer que o célebre poema abria já a porta relativamente aos exatos termos do que representa essa geração. “Nós que perdemos na luta da fé / não é que no mais fundo não creiamos / mas não lutamos já firmes e a pé nem nada impomos do que duvidamos”... O poeta bem conhecia a origem oitocentista da designação dos “vencidos da vida”, e sabia que o tempo os tornaria vencedores, não no sentido temporal, mas no sentido das ideias e da essência do espírito. Há trajetórias diferenciadas, é certo, mas há também que entender os frutos de longo prazo que foram lançados... “Victus sed victor” – e porque há quem continue a resistir ao entendimento sobre os sinais dos tempos, a verdade é que continua atual esse combate sereno e persistente não por uma Igreja triunfante, mas por um caminho cristão de respeito mútuo e de dignidade. Não esqueço, há muitos anos, um convite que Frei Mateus me fez para ir falar a Fátima à comunidade dominicana sobre pluralismo e tolerância. Lá estivemos, uma tarde de Primavera, e não esqueço as estimulantes reflexões de outro saudoso amigo, Frei José Augusto Mourão. Longe de orientações fechadas, eis que ficou uma pergunta, mais do que quaisquer respostas: como lidar com os intolerantes? Como distinguir a tolerância, enquanto respeito e não indiferença, a intolerância e as pessoas intolerantes? E o tema continua na ordem do dia. Frei Mateus era um intelectual rigoroso mas estimulante, avesso às simplificações. Com ele sabíamos que a dignidade humana exige procura, e que o diálogo só vale a pena se for trabalhoso... Sempre nos ensinou, por isso, que a teologia obriga a conhecimento e a ir além da superficialidade – o “aggiornamento” obrigaria, pois, a tempo e a reflexão. Daí a importância dos célebres colóquios para assinantes da “Conciluim”: refletindo sobre e com Schillebeeckx, Chenu, Congar ou Balthasar...


   

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