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Defendendo a Tradição Ocidental da Liberdade sob a Lei

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Agora, mais do que nunca, precisamos de instituições dedicadas à defesa dos valores e tradições liberais, ao esclarecimento das suas origens e lições, e à compreensão dos desafios que enfrentam.

C omeço por agradecer e congratular João Espada e o Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica no seu 25o aniversário dos Encontros Inter- nacionais em Estudos Políticos e pelo 20o aniversário do Instituto. Agora, mais do que nunca, precisamos de instituições dedicadas à defesa dos valores e tradições liberais, ao esclarecimento das suas origens e lições, e à compreensão dos desafios que enfrentam.

A questão perante este painel é urgente na sua actualidade. Há cada vez mais a sensação de que o Ocidente está a perder força– que individualmente e colectivamente, as democracias liberais da Europa e os estados anglófonos da América do Norte e Australásia estão a enfraquecer, e que poder e riqueza estão a deslocar-se para sul e este, para a China claro, mas também para outros poderes asiáticos ascendentes, para os estados do Golfo, e para outras economias de mercado emergentes do sul global, e para a Rússia.


 

O desafio à Europa e ao Ocidente

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Quero explicar o desafio colocado à democracia liberal pela Rússia; o desafio colocado pela indiferença ou imparcialidade relativamente à democracia liberal da parte de cidadãos e líderes liberais; e o desafio de melhorar o nosso entendimento da política nas democracias liberais.

É uma honra juntar-me a vós no Estoril para a edição deste ano do Political Forum – um encontro extremamente oportuno da iniciativa do meu amigo Professor Espada, que nos junta precisamente enquanto grandes acontecimentos têm lugar (ou ime- diatamente depois deles), com participantes que têm muito a ensinar-nos sobre como os interpretar, e magnificamente preparado pela Professora Rita Seabra Brito e a sua equipa. E, como americano, devo dizer que o Estoril Political Forum constitui um refúgio de um foco incessante nas loucuras e controvérsias que absorvem a nossa comunicação social e os nossos políticos no meio de verdadeiros desafios, que muitas vezes nos impedem de ver para lá de nós mesmos, e constitui uma agradável oportunidade para renovar o nosso conhecimento da actual situação na Europa e do modo como este continente está a lidar com os seus próprios desafios, mesmo no meio do nevoeiro de um foco europeu nas loucuras e controvérsias internas que, por sua vez, absorvem os vossos políticos e comunicação social.

O título deste painel é “O Desafio à Europa e ao Ocidente”, que constitui um desafio a que nós, no painel, identifiquemos o desafio. É o que tentarei fazer. Há três aspectos que gostaria destacar esta noite – três formas distintas de abordar o desafio enfrentado pela Europa e pelo Ocidente – o segundo aspecto com maior brevidade do que o primeiro e o terceiro com maior brevidade do que o segundo. Em primeiro lugar, quero explicar o desafio colocado à democracia liberal pela Rússia; em segundo lugar, o desafio colocado pela indiferença ou imparcialidade relativamente à democracia liberal da parte de cidadãos e líderes liberais; e em terceiro lugar, o desafio de melhorar o nosso entendimento da política nas democracias liberais.


 

Em defesa dos valores liberais Esboço de um argumento

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O recente ataque terrorista no Reino Unido, em Londres e Manchester, deu lugar a grandes discussões sobre o facto de os terroristas constituírem uma afronta aos nossos valores e de que os estados ocidentais têm de estar preparados, como parte de uma estratégia anti-terrorista, para defender tais valores e mostrar a sua superioridade.

Assim, no Reino Unido, por exemplo, o Governo está a propor a criação de uma Comissão que faça frente ao extremismo, quer seja da Esquerda ou da Direita ou de posições ideológicas religiosas e seculares. O que isto implica, na prática, é fazer uso da útil frase de Will Kymlicha “a liberalização das comunidades religiosas”. Tal abordagem suscita bastantes questões:

O que é que concede esta autoridade especial ao liberalismo para tentar reformular os valores e os ideais das comunidades religiosas de forma a que apenas possam ser legitimamente defendidos e praticados nesta forma liberalizada?


 

Padre João Seabra

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O Instituto de Estudos Políticos distingue hoje com o prémio “Fé e Liberdade” o Cónego João Seabra. Tenho o gosto e o privilégio de conhecer o Padre João há mais de 40 anos.

Guilherme de Almeida e Brito Guilherme de Almeida e Brito

Vice-Director, Católica Lisbon School of Business and Economics

Nesta relação de décadas, a dimensão que mais sobressai, a mais marcante e que está intimamente ligada à atribuição do prémio Fé e Liberdade, é a dependência do Padre João de Deus e a sua fidelidade à Igreja. O Padre João é um homem de fé: concebe-se a si próprio como profundamente dependente de Deus e fiel à Igreja. Essa perspectiva de si próprio e do significado da vida torna-o um homem muito livre. Muito dependente de Deus, o que significa muito livre em relação a tudo o resto, de forma muito natural, quase sem esforço. Na dependência de Deus, a liberdade em relação ao resto parece ser no Padre João tão simples como respirar.

A segunda dimensão que mais me marcou é a valorização de cada momento e o olhar para cada pessoa tendo presente o seu destino, a sua dignidade última. Concretizo com um exemplo: de cada vez que um Papa veio a Portugal, a começar em 1982, o Padre João nunca nos deixou de interpelar vivamente para vivermos esse momento como um acontecimento decisivo, verdadeiramente transformador. Disse-nos sempre algo como: Ver, encontrar o Papa é como ver, encontrar Jesus. Como queres preparar esse teu encontro pessoal com Jesus? Desta pergunta levada a sério, nasce uma enorme liberdade e, consequentemente, muitas iniciativas.

E o que se aplica, em particular, a cada visita do Papa, pode-se aplicar a qualquer dia, a qualquer conversa, a qualquer trabalho. A possibilidade de viver cada conversa como sendo decisiva para o nosso destino, para a nossa vocação, torna a vida uma aventura fascinante. Ao conversarmos com o Padre João é manifesto que ele está a olhar para nós tendo presente o nosso destino, o nosso desejo profundo de felicidade.É uma vertigem a possibilidade de conceber a vida desta forma, com esta dignidade.


 

Discurso de aceitação do prémio Fé & Liberdade

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Saúdo o Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa e a organização do Estoril Political Forum, que celebra este ano um quarto de século. Nos últimos anos, tenho tido gosto em estar convosco, pelo desejo que reconheço nestes nossos encontros de olhar a política como serviço do bem comum.

Padre João Seabra Padre João Seabra

Cónego. Diretor do Instituto de Direito Canónico da Universidade Católica Portuguesa

Quero saudar especialmente o júri do Prémio Fé e Liberdade, a quem manifesto a minha gratidão pela honorificência que me atribuiu. Cumprimento também o Professor Guilherme de Almeida e Brito, meu amigo de tantos anos, cujas generosas palavras agradeço comovido.

Uma palavra ainda para o Professor Robert Royal, que preside a esta sessão: o seu livro Mártires do século XX foi para mim, e julgo que para toda a igreja, um instrumento decisivo para a preparação do Grande Jubileu. As suas intervenções e publicações, e o trabalho do seu think tank Fides et Ratio, têm mantido alta a ligação essencial entre a doutrina católica e a tradição da liberdade.

Recebi a notícia deste prémio com irónica surpresa. Ao longo dos anos, esta cerimónia permitiu distinguir vultos incontornáveis da presença católica. Há quatro anos, presidi à sessão em que foi galardoado o Professor Mário Pinto, que então descrevi como “o herói nacional da liberdade de educação”. A ele se juntam, na galeria dos premiados, o Senhor Dom Jaime Pedro Gonçalves, artífice da paz em Moçambique; Monsenhor João Evangelista, cujo elogio tive a honra de proferir, e o Senhor Alexandre Soares dos Santos, que de formas diferentes na actuação mas consones no intento ideal, tão bem souberam articular a liberdade económica e a fé; o Padre Lino Maia, cujo trabalho social é unanimemente reconhecido; o Padre Roque Cabral, filósofo e mestre de doutrina social e política; e a Dra. Maria de Jesus Barroso, cujo caminho de conversão nos comoveu a todos e cuja memória evoco. Presto a minha homenagem a todos os premiados que me precederam: e é desconcertante, para mim, ver acrescentar o meu nome a este ilustre friso de galardoados. Mas já que o júri do prémio entendeu fazer-me essa gentileza, que agradeço com comoção, aproveito esta ocasião pata umas palavras sobre Fé e Liberdade, o imprevisível binómio que dá nome a este prémio.


 

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