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Populismo vs. Pós-democracia

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No meio, a democracia luta por espaço.

“Há um espectro que assombra a Europa”, grita uma manchete num recente número especial do Journal of Democracy (uma sóbria publicação editada pelo National Endowment for Democracy americano) que analisa a ascensão dos partidos políticos à esquerda e à direita do mainstream europeu. Os europeus ficam normalmente ou alarmados ou desconfiados com a preocupação americana com o destino da democracia, mas, desta vez, a opinião liberal em ambos os lados da “Lagoa” ecoa em uníssono: o populismo é uma ameaça à democracia.

A abordagem do Journal é mais variada e subtil que isso. É também um útil compêndio de todos os partidos, políticas e histórias que podem ser incluídas no vasto baú do populismo. Um artigo principal, de Takis S. Pappas, um teórico político grego residente na Hungria, lista 22 partidos diferentes a que ele cautelosamente chama “desafiadores da democracia liberal”. O autor divide-os em três categorias: antidemocratas, ativistas e populistas. (Todos são commumente denominados de populistas nos meios de comunicação europeus e americanos). Ele enumera, de uma forma muito útil (e para minha ligeira surpresa), que sete destes partidos ganharam poder em coligação, outros quatro sozinhos, e que todos menos os anti-democratas estão ou “isolados em oposição” ou “extintos” (o BNP).


 

Chefiar ou Liderar - Arte e Técnica

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O termo liderança tem sido objecto de muitas definições, mas poderemos considerar, para efeitos de simplificação, apenas uma: “A liderança é a capacidade de um indivíduo para influenciar, motivar e habilitar outros a contribuírem para a eficácia e o sucesso das organizações de que são membros”.

Enquadramento Já passaram cerca de cinco décadas e meia sobre o momento em que, pela primeira vez, fui investido em funções de chefia e em que senti a forte preocupação sobre a forma como deveria actuar para ser bem aceite pelos meus subordinados e, simultaneamente, conseguir que eles executassem correctamente as tarefas que lhes ordenasse. Teria de procurar dar expressão prática ao que, no âmbito da arte, ou técnica de comando, aprendera durante o curso da Escola Naval, com realce para o que retinha da leitura de um pequeno livro que muito me havia marcado. Era, de facto, uma obra de reduzida dimensão, mas de grande conteúdo, estruturado de forma muito objectiva, que exigia muita complementaridade prática e que faz parte da colecção Ecclesia 1. Tratava, naturalmente, o tema da chefia, já que, nessa altura, a palavra liderança ainda não constava nos hábitos, nem nos dicionários da nossa língua.

A experiência que, passo a passo, fui adquirindo demonstrou-me que os ensinamentos recebidos nas escolas e as leituras de vários autores são importantes e enriquecedores, mas que devem ser, têm de ser, acompanhados de uma reflexão continuada, de uma profunda introspecção, capaz de ajudar a melhorar procedimentos e a adequá-los às variadas circunstâncias.


 

A Democracia e os seus descontentes no cenário de Portugal e Espanha

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É verdade que, ao cabo de mais de dois séculos de processos de abertura política, de conquista de direitos e de ampliação das liberdades, nunca houve, no mundo inteiro, tantos regimes democráticos; mas também é verdade que, descontado o negro período entre as duas guerras mundiais, nunca houve tanta insatisfação com essa mesma democracia.

A “era da incerteza” é o rótulo que melhor define o século XXI, sobretudo desde que a crise de há quase uma década globalizou problemas económicos e tensões políticas internacionais que se julgavam ultrapassados pelos progressos do capitalismo e da democracia, pelo menos naquela parte do mundo – o Ocidente – em que afortunadamente vivemos. É verdade que, ao cabo de mais de dois séculos de processos de abertura política, de conquista de direitos e de ampliação das liberdades, nunca houve, no mundo inteiro, tantos regimes democráticos; mas também é verdade que, descontado o negro período entre as duas guerras mundiais, nunca houve tanta insatisfação com essa mesma democracia. E por isso hoje se fala nos seus velhos e novos inimigos e ameaças, esquecendo muitas vezes as possibilidades de melhoria individual e coletiva que ela oferece e o quanto, afinal, a pior das democracias é ainda assim preferível a qualquer uma das suas alternativas mais ou menos utópicas e/ou ditatoriais.

Num mundo que é cada vez mais pós- -Europeu, é útil lembrar que a União Europeia ainda é um oásis de paz e desenvolvimento apetecível. E dentro da Península Ibérica, apesar da má fama que a divisão weberiana da Europa há muito empresta aos latinos e aos “do Sul”, existem dois países onde a democracia e o desenvolvimento são conquistas e realidades indiscutíveis. Apesar da crise financeira e económica e da maior instabilidade política em que Portugal e Espanha estão presentemente mergulhados, vivemos, portugueses e espanhóis, de forma livre e com mais abundância e mais segurança hoje do que muitas das nossas gerações anteriores: parafraseando Voltaire, a Ibéria não é o melhor dos mundos possíveis, mas é, comparando com o seu passado e com o presente de outros mundos, um mundo muito aceitável.


 

Alfredo Bruto da Costa (1938-2016)

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Tantas vezes Alfredo Bruto da Costa telefonava ou pedia um encontro para debater uma dúvida, uma iniciativa ou uma ideia. Era extraordinária a sua atenção aos acontecimentos e à necessidade de os refletir serena e profundamente.

Relativamente a um dos últimos livros de Amartya Sen («The Idea of Justice», 2009) anotou criteriosamente as suas dúvidas e sentiu-se algo desiludido, uma vez que esperava pistas mais inovadoras, para além do muito que o pensador já tinha dado, e que ele tanto admirava. Como este exemplo poderia dar muitos mais. E falámos longamente da experiência emancipadora de seu pai em Goa no grupo de Margão… Foram muitas horas de gostosa conversa e muitas ideias e iniciativas, algumas das quais ficaram por realizar – apenas adiadas. O que o preocupava era passar das ideias para os atos. Ele era a demonstração de que Emmanuel Mounier tinha razão quando dizia que «o acontecimento é o nosso mestre interior». Se no campo das ideias era extremamente estimulante, o certo é que esteve sempre preocupado com o modo de influenciar a realidade. Daí que muitas das suas preocupações nesses fantásticos diálogos, sempre como se todo o tempo estivesse ao nosso dispor, tivessem a ver com o difícil passo no sentido de melhorar a vida das pessoas concretas, de carne e osso, ignoradas e esquecidas. O seu combate foi sempre contra a indiferença, compreendendo que era mais fácil passar ao largo dos problemas, como se eles não nos dissessem respeito, em vez de os encarar frontalmente. As parábolas do bom samaritano e dos talentos estavam sempre presentes no seu pensamento. Conheci-o melhor na fugaz experiência governativa fande Maria de Lourdes Pintasilgo, e depois não deixámos de estar em contacto regular. Não esqueço o seu contributo nos Estados Gerais lançados por António Guterres e saliento a consciência aguda que tinha dos problemas da educação e da formação, em ligação estreita com a criação de condições de justiça para todos – o rendimento mínimo garantido e a educação pré-escolar foram temas em que se empenhou e que refletiu intensamente. E quer no Conselho Económico e Social quer na Comissão de Justiça e Paz fui testemunha de uma ação determinada e muito inteligente no sentido de construir na opinião pública um ambiente de conhecimento e disponibilidade para os difíceis problemas da pobreza. Beneficiei também muito da sua ajuda no tocante ao tema da prevenção da corrupção – que se encontra paredes meias com a justiça social, já que esse flagelo, além de corroer os fundamentos da sociedade, retira meios indispensáveis para a justiça distributiva, para o emprego, para a correção das desigualdades e para o combate à exclusão.


 

João Lobo Antunes Um modo especial de ser...

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João Lobo Antunes era um intelectual completo. Como cientista e médico teve o reconhecimento, enquanto verdadeiro mestre que foi. Como cidadão empenhou-se nas causas nobres da construção de uma sociedade melhor, capaz de compreender os limites e a imperfeição. Como ensaísta e homem de cultura deixa-nos uma obra única, centrada na procura serena, complexa e multifacetada da dignidade humana.

Numa palavra, faz-nos muita falta. Deixa um lugar praticamente impossível de substituir. O humanista pôs em diálogo efetivo a cultura e a ciência, salientando que a criatividade e a inovação correspondem a processos paralelos e semelhantes no intelectual, no filósofo, no artista e no cientista. Não esqueço o encontro com Fernando Gil, a ilustrar essa proximidade. E não compreenderemos as virtualidades da investigação científica nos dias de hoje se não a ligarmos à criatividade humana. Num tempo de crises e incertezas, não é demais salientar a importância crucial do ato inovador, que exige um diálogo efetivo entre cultura e ciência. Pode dizer-se que ao lermos a obra fecunda do ensaísta, descobrimos o homem na sua integridade – o que permite compreendemos melhor o fenómeno extraordinário da criação.


 

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